terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Parto Normal

Razões para um parto normal.
Como a natureza quer O ideal é que o bebê escolha o dia em que quer nascer”


A criança respira melhor: quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. Assim o líquido amniótico que está dentro dos seus pulmões é expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce”,
As contrações uterinas estressam o bebê – e isso está longe de ser ruim. O hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia. 

Acelera a descida do leite: “Durante o trabalho de parto, o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a apojadura”. No caso da cesárea eletiva, a mulher pode ser submetida à cirurgia sem o menor indício de que o bebê está pronto para nascer. Daí, o organismo talvez secrete as substâncias que deflagram a produção do leite com certo atraso – de dois a cinco dias depois do nascimento do bebê. Resumo da ópera: a criança terá de esperar para ser amamentada pela mãe. 

Cai o mito da dor: por mais ultrapassada que seja, a imagem de uma mãe urrando na hora do parto não sai da cabeça de muitas mulheres. Segundo Washington Rios, coordenador da maternidade de alto risco do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, não há o que temer. “A analgesia é perfeitamente capaz de controlar a dor”, afirma. Isso porque há mais de dez anos os médicos recorrem a uma estratégia que combina a anestesia raquidiana, a mesma usada na cesárea, e a peridural. “A paciente não sofre, mas também não perde totalmente a sensibilidade na região pélvica”, explica a anestesista Wanda Carneiro, diretora clínica do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. Dessa forma, ela consegue sentir as contrações e até ajudar a impulsionar a criança para fora. 

Recuperação a Jato: 48 horas após o parto normal, a nova mamãe pode ir para casa com o seu bebê. Em alguns casos, para facilitar a saída da criança, os médicos realizam a episiotomia, um pequeno corte lateral na região do períneo, área situada entre a vagina e o ânus. Quando isso acontece, a cicatrização geralmente leva uma semana. Já quem vai de cesariana recebe alta normalmente entre 60 e 72 horas após o parto e pode levar de 30 a 40 dias para se livrar das dores. 

Mais segurança: como em qualquer cirurgia, a cesárea envolve riscos de infecção e até de morte da criança. “Cerca de 12% dos bebês que nascem de cesariana vão para a UTI”, revela Renato Kalil, obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. No parto normal, esse número cai para 3%

Tempo de Gravidez

A gravidez exige cuidados redobrados em relação à saúde da mãe e do bebê. Por isso, toda grávida deve procurar assistência pré-natal já nos 3 primeiros meses de gestação.


O sinal mais comum de gravidez é o atraso menstrual. Depois de 2 semanas de atraso, deve-se fazer o exame. Mas há também outros sinais, como enjoos, vômitos, falta ou excesso de apetite, tonturas e aumento das mamas, que podem ficar duras e doloridas. No entanto, algumas mulheres não apresentam nenhum desses sinais.

A contagem do tempo de gravidez é feita a partir do primeiro dia da última menstruação, chamado Data da Última Menstruação (DUM).

A gravidez dura, em média, 9 meses e 1 semana (40 semanas ou 280 dias) contados a partir da DUM. 
Por exemplo, se a DUM for 3 de janeiro, a data provável do parto é 10 de outubro. Mas isso pode variar muito. 
Apenas 5% das mulheres dão à luz na data prevista para o parto.
             
Quando os ciclos menstruais são irregulares ou quando a mulher não recorda a DUM, o profissional de saúde pode solicitar um exame por ultrassom. Se o acesso ao exame for difícil, o médico pode avaliar o tempo de gestação por toque vaginal (no primeiro trimestre) ou apalpando o abdômen e medindo o útero com fita métrica (no segundo e terceiro trimestres)

Parto Orgastico

Sentir prazer em dar a luz!
Debra Pascali-Bonaro, educadora americana e diretora de um documentário sobre parto orgástico, afirma que estamos acostumados a uma cultura do parto dolorido e difícil, mas é possível sentir prazer ao dar à luz.
– Como uma mulher se sente quando tem um orgasmo durante o parto?Debra Pascali-Bonaro - Existe uma grande variedade de sensações, boas ou ruins, que a mulher pode sentir durante o parto, e uma delas é o orgasmo. Pode ser um orgasmo verdadeiro ou uma sensação orgástica ou de êxtase causado pelo movimento do bebê. É um segredo tão bem guardado que muitas mulheres, quando passam pela experiência, ficam espantadas a ponto de não contar a ninguém o que aconteceu. Estamos acostumados a uma cultura do parto dolorido e difícil. Quem não tem medo e está bem preparada pode experimentar o parto com orgasmo.

– Sentir prazer no parto é apenas uma questão de vontade e preparo?
Debra - A mulher só precisa estar preparada psicologicamente, porque o corpo já está pronto. O hormônio oxitocina, conhecido como o “hormônio do amor”, ajuda a mãe a expulsar o bebê do útero e também é produzido pelo corpo durante uma relação sexual, quando a mulher está excitada. O corpo reage de maneira muito parecida nessas situações que parecem distintas, mas são complementares. O parto faz parte da sexualidade.

– Isso significa que qualquer mulher pode ter um orgasmo ao dar à luz? 
Debra - Não exatamente. Seria como dizer que toda mulher pode ter relações sexuais prazerosas e orgasmos a toda hora. Depende em grande parte do autoconhecimento e uma certa vontade. Não dá para atingir isso sempre. Na verdade, o corpo está preparado para isso, mas a cabeça pode não estar. Vale a mesma coisa para o parto, e esse é o objetivo do filme: simplesmente dizer que a mulher precisa estar aberta a possibilidade de um parto com prazer. Se você não conhece as opções, é como se você não tivesse nenhuma.

– É possível ter um parto com orgasmo num hospital comum? Debra - Num hospital típico é desafiador, para não dizer impossível. Mas se o hospital tiver uma sala de parto adequada, onde a mulher se sinta confortável, tenha privacidade e fique cercada de gente de quem ela gosta, é possível. A mulher precisa participar de seu parto, se sentir no centro da situação. Essa participação não significa apenas responder ao “aguente firme e faça força”. A mulher precisa imaginar onde gostaria de estar, que tipo de som ou cheiro a sala vai ter, como será a iluminação. É tomar o controle.

– Um parto com orgasmo pode trazer algum benefício para a saúde? 
Debra - Não existem muitas pesquisas sobre isso, mas um parto confortável diminui muito a chance da mulher ter depressão pós-parto. O que é sentido durante o parto tem um impacto muito grande na saúde da mulher nos primeiros meses de maternidade.

– Você recebeu muitas críticas pelo documentário? 
Debra - Eu li críticas de pessoas que não acreditaram no filme, mas nunca ninguém veio pessoalmente até mim para lançar algum desafio ou dizer que eu disse mentiras. O nome do documentário pode gerar controvérsia e chocar as pessoas, mas o conteúdo traz uma discussão muito profunda sobre a fisiologia do corpo, a interferência dos hormônios e a psicologia do parto. Pode parecer um segredo, mas é mais comum do que imaginamos.
Entrevista: Revista época